BARBARESCO – O PRÍNCIPE DO PIEMONTE

Feito com a Nebbiolo – a uva rainha do Piemonte – o Barbaresco se tornou uma DOCG em 1980 após grande influência e esforços do Angelo Gaja.

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Barbaresco, o príncipe que ameaça o trono do Rei Barolo.

É quase impossível falar de Barbaresco sem falar de Barolo. Localizado a leste da cidade de Alba, ocupa uma área 3 vezes menor que a do Barolo (apenas 640 hectares versus 1700 hectares). A comuna de Barbaresco abrange as vilas de Barbaresco, Treiso e Neive.

Para muitos a Nebbiolo é considerada a melhor uva da Itália, pois além de produzir os nobres Barolo e Barbaresco, também é utilizada como a principal casta nos fantásticos vinhos Gattinara, Lessona, Ghemme, Sfursat, entre outros. Também conhecida como Chiavennasca e/ou Spanna, é delicada e sensível às variações de solo e clima, o que faz dela de difícil adaptação em outros terrois. Amadurece de forma tardia no outono, quando é comum a presença de névoas nos vinhedos do Piemonte: daí vem uma das teorias da origem do nome Nebbiolo, que deriva da palavra italiana nebbia, névoa em português.

O aroma do Barbaresco é uma combinação de frutas como framboesas e geleia de amoras vermelhas, e de flores como rosas e violetas. Além disso, possui notas de ervas, alcaçuz, canela, noz moscada, madeira, feno, avelãs tostadas, baunilha, sementes de anis e, com o avanço na idade, aparecem os aromas de couro, cânfora, tabaco, trufa e sous-bois.

É comum escutar que o Barbaresco é um vinho com ‘posturas’ mais finas, talvez por ser mais aromático, elegante e de taninos polidos. Em geral, ele requer menos tempo de guarda para atingir seu maior potencial e tem vida menor que o Barolo. Em uma degustação às cegas, não é tarefa fácil decifrar se é um Barbaresco ou um Barolo. Estilisticamente falando, o Barolo de La Morra é o mais parecido com o Barbaresco, o que dificulta mais ainda distingui-los.

Os produtores mais famosos são Gaja, Bruno Giacosa e a cooperativa Produttori del Barbaresco. Outros ótimos produtores incluem Cascina dele Rose, Fiorenzo Nada, Castello di Neive, Roagna, Albino Rocca e Bruno Rocca.

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Vinhos degustados no restaurante Alessandro e Frederico

Degustamos 5 Barbaresco DOCG Riserva 2009 do Produttori del Barbaresco. Todos seguem o mesmo processo de vinificação com fermentação a 30°c, 28 dias de maceração e conversão malolática completa. Após 36 meses em grandes barris de carvalho e 12 meses em garrafa o vinho é liberado para ser comercializado.

O Muncagota (89TP) é cheio de alcaçuz, anis, morango silvestre, rosa vermelha fechada e um corpo mais magro que os demais. O MonteStefano (89TP) traz notas de noz moscada, aromas de fruta mais madura (clima mais quente?). Rio Sordo (90TP) foi o mais austero, taninos sedosos e muita fruta, o vinho com mais estrutura para o envelhecimento. O Pora (90TP) exalava violeta, framboesa, amora, notas terrosas (cogumelo) e uma nota de cânfora. O escolhido da noite foi o Rabaja(91TP) que com amora, cereja preta e taninos mais presentes, apresentou mais evolução que os anteriores, com uma acidez mais integrada, sendo o mais intenso e persistente, mas com uma sensação alcoólica ligeiramente maior.

SOBRE O PRODUTOR

“Foi nas colinas do Piemonte, no ano de 1958, que o pastor Don Fiorino Marengo resolveu reunir 19 agricultores, fundando a vinícola de Produttori del Barbaresco (do italiano – produtores de Barbaresco). Desde o começo, serviram de exemplo para cooperativas vinícolas de todo o mundo por priorizar a qualidade das uvas, a fim de produzirem um vinho com qualidade garantida, inclusive pelo Estado italiano. Atualmente, a vinícola contempla mais de 50 famílias produtoras e soma mais de 100 hectares de vinhedos.”

Você já provou um Barbaresco? O que achou? Ainda não conhece?

Os vinhos degustados podem ser encontrados nas lojas da Grand Cru. Uma boa oportunidade para você provar um Barbaresco!

Nossos agradecimentos a Daniel Pereira e JP Mallet pela oportunidade oferecida, aos amigos confrades presentes no jantar, João Paiva e Alex do Alessandro & Frederico e ao Fernando da loja Grand Cru do Jardim Botânico – Rio de Janeiro.

Texto: Igor Gameleiro e Rogério Felício com revisão de Marcio Monteiro

Fotos: Rogério Felício

Referências:

The Concise Guide to Wine & Blind Tasting – Neel Burton

Wine Myths and Reality – Benjamin Lewin MW

Native Wine Grapes of Italy – Ian D’Gata