Quinta do Vale Meão – A vertical do mito Português

No dia 30 de Maio, Taça Preta proporcionou uma vertical memorável com 10 safras do mítico vinho Quinta do Vale Meão.

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O vinho Quinta do Vale Meão é carinhosamente apelidado de “Barca Nova”, numa alusão ao lendário Barca Velha. A relação entre os dois é devido à origem (vinhedos): parte dos vinhedos utilizados na produção do Barca Velha no passado são utilizados para a produção do Quinta do Vale Meão.

Em 1999, Olazabal criou o seu próprio vinho, o Quinta do Vale Meão. No primeiro ano, o vinho foi feito na Quinta do Vallado mas, em 2000, já foi vinificado na própria quinta, cuja adega foi partilhada com a vinificação do Barca Velha 2000.

Xisto, granito e aluvião fornecem a diversidade de características geológicas que, junto com a bem sucedida combinação de tradição e modernidade na vinificação, garantem a originalidade e a complexidade deste vinho.

A degustação foi dividida em três Flights

Estilo consistente, explosão de aromas de pequenos frutos do bosque (cassis, amora) e especiarias doces (canela, alcaçuz) apareceram em todas as safras degustadas.

Desconsiderando as pontuações dos famosos “críticos”, os preferidos da noite foram os 2006 e 2004! Sem a pretensão de quantificar o potencial do vinho, os comentários abaixo refletem o estado do vinho no dia da degustação.

Seja qual for a safra, você vai estar seguro e bem acompanhado com o Quinta do Vale Meão.

O primeiro Flight começou com taninos firmes e presentes, dominados por cassis, baunilha e alcaçuz do 2013. Em seguida, com intenso perfume de amora, uma sensação alcoólica levemente acentuada e com persistência menor que os outros da noite, o 2012. O mais jovem entrou em cena: O 2011 com uma concentração de fruta que remeteu a de um porto Vintage. Longe do seu auge, vale deixar esta safra na adega por mais alguns anos!

O segundo Flight veio para confirmar o estilo do vinho. O 2010, com seus taninos finos em grande quantidade e bastante fruta madura. Já o 2009, com notas de canela e especiaria exótica, sensação alcoólica levemente acentuada (como o 2012) e o com os taninos mais adstringentes da noite. O 2008 esbanjava equilíbrio, com discretas notas de barrica e coco queimado. O 2007 apresentou notas de frescor como menta e uma nuance de folha de chá que destoou levemente do estilo consistente encontrado em todas as safras. Vale comentar que esta foi a única safra na qual a Touriga Franca dominava o corte.

O último Flight iniciou com o versátil e campeão da noite, o 2006. Embora muito gastronômico (que tal um cordeiro?), tem a complexidade que vale uma degustação dedicada. O 2005, com notas minerais (grafite) e notas medicinais (esparadrapo), foi ofuscado pelos seus potentes vizinhos. O vice-campeão 2004, além das frutas escuras em compota, apresentava notas de erva seca.

Os vinhos da Quinta do Vale Meão são importados no Brasil pela Mistral.

Assista ao vídeo e conheça um pouco da história da Quinta do Vale Meão

O Adegão Português (Ipanema), comandado pelo Chef Rafael Freitas e o Sommelier Marcos Lima, preparou um menu especial para acompanhar os vinhos.

Agradecimentos: Luisa Olazabal, Marcos Lima e Rafael Freitas

Texto: Igor Gameleiro
Revisão: Rogério Felício
Avaliação dos Vinhos: Igor Gameleiro e Márcio Monteiro
Fotos: Rogério Felício
Referências:
[1] www.quintadovalemeao.pt
[2] https://www.publico.pt/temas/jornal/60-anos-de-barca-velha-24582246
[3] http://revistaadega.uol.com.br/artigo/uma-epopeia-no-douro_9410.html