Borgonha – Um Jantar Grand Cru

No dia 22 de junho, Taça Preta proporcionou um jantar para 12 confrades no renomado restaurante Francês Le Bistrôt Du Cuisinier, localizado no bairro de Ipanema, na cidade do Rio de Janeiro. Nas taças, o que esta tradicional e prestigiosa região vinícola tem a oferecer de melhor no mundo do vinho são alguns de seus maravilhosos caldos pertinentes ao pico da pirâmide da terra de Felipe – “O Bom”, do qual apenas aproximadamente 1,5 % de sua criação miraculosa tem a fidalguia máxima.2017-06-23-PHOTO-00003154

A primeira dupla de vinhos veio de um solo estabelecido no período Jurássico, quando o mar recuou, deixando uma camada de fósseis. Estamos nas terras dos Chablis, lugar da famosa argila Kimmeridgian, que deram origem a dois Grand Cru:

Bougros, 2011 – William Fèvreque representou fielmente o estilo esperado com acidez “crocante” e a mineralidade acentuada nos aromas e sabores (giz, calcário).

Le Clos, 2014 – Camus Filsque apesar de mais novo, possuía uma intensidade de cor maior devido ao grande tempo de passagem em barris de carvalho (12 meses!).

Um vinho que, degustado às cegas, seria bem difícil de acertar devido ao seu estilo mais internacional.

Saindo de Chablis e percorrendo 150Km de estrada para o Sudeste, chegamos em Cote de Beaune – A terra dos Brancos mais famosos do mundo.

 Dezenove anos separavam as colheitas dessa dupla.

Corton Charlemagne, 2014 – Bouchard Pere et Fils, da trágica safra de 2014 que sofreu com a tempestade de granizo, não demonstrou lástima alguma. Aroma concentrado, limpo e complexo, notas de cítricos, pêssego, flores, madeira, especiarias, manteiga e nota mineral.

Le Montrachet 1995, Delegrange Bachelet Logo quando aberto estava neutro! Cinco minutos em taça foi suficiente para uma gama de aromas surgirem, ainda que já etéreo. Damasco seco, pêssego, laranja confit, amêndoas, avelã, noz moscada e nota mineral (metálico). Na boca, uma leve oxidação já mostrava que o melhor momento havia passado e toda a elegância que é esperada deste Grand Cru estava com um toque “rústico”.

Chegada a hora de servir vinho em Taças Pretas….

Pinot Noir ou Syrah? As opiniões ficaram divididas.

Cheio de especiarias, corpo médio, taninos finos. Aromas intensos e complexos com final longo. “Se eu ver a cor fica mais fácil”, era o que mais se ouvia entre os confrades.

Na taça preta a imparcialidade é ainda maior. Acabamos prestando mais atenção em outras características do vinho. A dúvida entre Pinot Noir e Syrah dificilmente surgiria se fosse possível ver a cor do vinho.

“Pela quantidade de taninos não parece ser um Syrah. Os taninos finos do Syrah geralmente vêm em grandes quantidades”, ouvia-se de alguns presentes…

A maioria se convenceu que se tratava de um Pinot Noir. Seria de qual região? Não tinha a concentração de fruta (muitas vezes enjoativa) dos Chilenos e Argentinos. Os aromas intensos não lembravam a elegância contida dos Borgonhas. Pelos aromas de fruta fresca (framboesa e amora) e acidez marcante parecia vinho de clima frio. Norte da Itália, Alemanha, Nova Zelândia?

O vinho era o Spätburgunder Verrenberg GG  2012 (Pinot Noir), da Alemanha,  que é importado pela Vindame. Este mesmo produtor tem outro Pinot Noir muito bom e com ótimo custo benefício.

Continuamos nossa viagem pelos Grand Cru da Borgonha…

Mazoyères-Chambertin, 2012 – Taupenot Merme Cheio de potencial, taninos bem finos (macios). Pode ser bebido agora, mas ainda vai melhorar.

Chapelle-Chambertin, 2006 – Louis Jadot é um clássico e estava em um ótimo momento para ser aberto.

O trio tinto mais antigo foi uma grande experiência. Nem todos já haviam provados Grand Cru com mais de 15 anos em seu auge. O 2000 possui madeira bem integrada, trufa, folhas de outono, cheio de complexidade.  O 2001 foi um ano mais irregular, mas este produtor é um porto seguro.  O 1996 surpreendeu pela fruta que ainda dominava os aromas. Não parecia ser o mais antigo!

Clos de Vougeot 2001 – Jean-Michel Guillon & Fils

Clos de Vouget 2000 – Nicolas Potel

Charmes Chambertin 1996 – Charlopin Parizot

Você sabia que tem mais de 80 donos da parcela do Clos de Vogeout?

O Código Napoleônico (1804) estabeleceu que toda herança deveria ser dividida de forma homogênea entre todos filhos. Assim, com o passar do tempo, as propriedades começaram a ser subdivididas e hoje em dia a região de Clos de Vougeot (~50ha) possui mais de 80 donos!

Para fechar o jantar com maestria – O excepcional Sauternes, 1986 – Doisy Vedrines.

Texto: Igor Gameleiro e Rogério Felício

Revisão: Márcio Monteiro e Rogério Felício

Fotos: Rogério Felício

Agradecimentos:

Le Bistrôt Du Cuisinier

Vind’ame